terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Vendas no varejo fecham 2011 com alta de 6,7%, diz IBGE

Setor de móveis e eletrodomésticos puxou crescimento no período.
Só em dezembro, aumento do volume de vendas foi de 0,3%.

 

O volume de vendas do comércio varejista brasileiro cresceu 0,3% em dezembro, em relação a novembro, e fechou o ano de 2011 com alta de 6,7%, segundo informou, nesta terça-feira (14), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No último mês de 2011, a receita nominal também cresceu 0,3%, completando o 38º mês seguido de taxas positivas. No acumulado no ano, a alta foi de 11,5%.

Entre as dez atividades pesquisadas pelo IBGE, com ajuste sazonal, sete registram aumento nas vendas, com destaque para equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (6,9%), móveis e eletrodomésticos (2,6%) e artigos médicos. Na contramão, com recuo no volume de vendas estão livros, jornais, revistas e papelaria (-5,3%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,5%) e combustíveis e lubrificantes (-0,5%).

Já comparação com dezembro de 2010, livros, jornais, revistas e papelaria foi o único setor a apresentar resultado negativo (-2,3%). Entre as altas, as mais influentes partiram de móveis e eletrodomésticos (15,3%). "O desempenho foi decorrente da manutenção do crescimento do emprego e do rendimento, como também da redução dos preços", disse o IBGE, por meio de nota.

Por região

Em dezembro, sobre novembro, 17 estados tiveram aumento nas vendas, oito mostraram queda e dois não apresentaram variação. As principais altas foram vistas no Acre (8,7%), em Tocantins (7,25), no Amapá (1,9%) e em Goiás (1,7%).

As principais quedas foram vsitas no Piauí (-7,8%), no Amazonas (-1,6%) e em Sergipe (-1,4%). Não houve variação em São Paulo e Santa Catarina.

Nenhum estado registrou variação negativa para o resultado acumulado do ano de 2011.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

CAIXA CRIARÁ 12 MIL VAGAS EM 2012

Seleção a ser realizada neste ano será para níveis médio e superior.
Instituição chamará ainda aprovados de concursos com validade em vigor.
Do G1, em São Paulo

caixa econômica federal (Foto: Divulgação)As novas 5 mil vagas serão preenchidas por
aprovados de concursos válidos e novo processo
seletivo em 2012 (Foto: Reprodução)
A Caixa Econômica Federal contratará 12 mil novos funcionários este ano. A informação foi dada na terça-feira (7) pelo presidente do banco, Jorge Hereda. De acordo com a assessoria de imprensa da Caixa, o contingente será preenchido por meio de um novo concurso público que será realizado ainda neste semestre e também por aprovados dos três concursos que ainda têm validade em vigor. Atualmente são cerca de 85 mil funcionários.

“A contratação dos candidatos aprovados será realizada mediante a existência de vagas em todo o território nacional, contemplando sempre os concursos vigentes à época da disponibilidade das vagas”, informou a Caixa.

O novo concurso, segundo a assessoria da Caixa, será para os níveis iniciais da carreira administrativa (técnico bancário novo) e profissional (cargos de nível superior).

O salário inicial da carreira profissional, com carga horária de 8 horas, é R$ 7.931,00. Já a remuneração inicial para técnico bancário novo é R$ 1.784,00. O auxílio alimentação/refeição e o auxílio cesta alimentação foram reajustados e correspondem, respectivamente a R$ 435,16 e R$ 339,08.

A validade dos concursos do banco é de um ano e pode ser prorrogada por igual período. Os concursos da Caixa são sempre para cadastro de reserva, ou seja, os aprovados são chamados de acordo com a demanda.

O prazo de validade dos três concursos realizados em 2010 foi prorrogada. Os três editais, para formação de cadastro de reserva, foram lançados em março daquele ano. Dois deles eram para os cargos de técnico bancário novo - um em nível nacional e outro para o Rio de Janeiro e São Paulo. O terceiro concurso era para a carreira profissional, em cargos de nível superior, para advogado, arquiteto e engenheiro.

A validade do concurso para técnico bancário em São Paulo e no Rio de Janeiro vai até 13 de junho de 2012. Já o de técnico bancário em nível nacional tem validade até 28 de junho de 2012 e, no caso do concurso para nível superior, até 29 de junho de 2012.
Os três concursos realizados em 2010 receberam o total de 760.953 inscrições. As seleções para técnico bancário tiveram 700,2 mil inscritos - 248.688 para São Paulo e Rio de Janeiro e 451.523 para nível nacional. Para os cargos de nível superior, o concurso recebeu o total de 60.742 inscrições.

A CEF afirma que admite aprovados tendo em vista ainda a necessidade de preenchimento de vagas decorrentes de desligamentos por motivo de rescisão contratual, aposentadoria e falecimentos. “Como a convocação dos candidatos decorre do aumento do quadro de pessoal ou, ainda, da reposição de empregados desligados, o banco não tem como prever quantas vagas devem surgir até o prazo final de validade do concurso, nem em quais localidades haverá maior chance de se chamar mais candidatos”, informa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

VIA RÁPIDA SERÁ IMPLANTADO EM IGARATÁ

NESTA SEMANA, RECEBEMOS A NOTÍCIA DE QUE A SECRETARIA DE ESTADO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA ATENDEU AO NOSSO PEDIDO E PROGRAMOU PARA ESTE ANO A IMPLANTAÇÃO DE ALGUNS CURSOS TÉCNICOS E PROFISSIONALIZANTES EM IGARATÁ ATRAVÉS DO PROGRAMA VIA RÁPIDA EMPREGO.

OS CURSOS SERÃO MINISTRADOS PELO SENAI/CENTRO PAULA SOUZA, EM PARCERIA COM A PREFEITURA MUNICIPAL. OS ALUNOS SELECIONADOS RECEBERÃO BOLSA-AUXÍLIO E VALE TRANSPORTE.

OS CURSOS SERÃO GRATUITOS. MAIS INFORMAÇÕES SERÃO DIVULGADAS EM BREE PELA IMPRENSA. ABRAÇO A TODOS!



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Brasil tem 31 universidades entre as 100 melhores da América Latina

USP aparece em 1º lugar em ranking de organização britânica.
Unicamp em 3º e UFMG em 10º surgem entre as 10 melhores.

Do G1, com informações da France Presse
 
Ranking das universidades da América Latina
UniversidadePaísPontos
1º) Universidade de São Paulo (USP)Brasil100
2º) Pontificia Universidade Católica Chile 99,6
3º) Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)Brasil94,7
4º) Univesidad de Chile Chile 94,0
5º) Universidad Autónoma de México (Unam) México 92,1
6º) Universidad de Los Andes Colômbia 84,7
7º) Tecnológico de Monterrey (ITESM) México 83,0
8º) Universidad de Buenos Aires Argentina 82,1
9º) Universidad Nacional de Colombia Colômbia 79,5
10º) Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)Brasil79,1
11º) Universidade de Brasília (UnB)Brasil78,2
12º) Universidad de Concepción Chile 75,5
13º) Universidad Austral Argentina 75,3
14º) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)Brasil75,2
15º) Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)Brasil73,5
16º) Universidade Estadual Paulista (Unesp)Brasil72,6
17º) Pontificia Universidad Católica Argentina Santa María de los Buenos Aires Argentina 72,2
18º) Universidad Nacional de Cordoba Argentina 71,6
19º) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)Brasil70,1
20º) Universidad Nacional de La Plata Argentina 69,2
28º) Pontificia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)Brasil61,1
31º) Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)Brasil59,6
33º) Universidade Federal do Pernambuco (UFPE)Brasil58,8
35º) Universidade Federal de São Carlos (UFScar)Brasil56,0
37º) Pontificia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)Brasil55,7
38º) Universidade Federal do ParanáBrasil55,1
42º) Universidade Federal da Bahia (UFBA)Brasil53,2
45º) Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)Brasil50,7
55º) Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)Brasil47,7
59º) Universidade Federal de Viçosa (UFV)Brasil45,5
61º) Universidade Estadual de Londrina (UEL)Brasil44,9
69º) Universidade Federal de Pelotas (UFPel)Brasil42,1
72º) Universidade Federal Fluminense (UFF)Brasil40,8
76º) Universidade Federal do Ceará (UFC)Brasil39,5
81º) Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)Brasil37,0
82º) Universidade Estadual de Maringá (UEM)Brasil36,8
83º) Universidade Federal de Uberlândia (UFU)Brasil36,6
88º) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy RibeiroBrasil34,6
93º) Pontificia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)Brasil33,3
95º) Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)Brasil33,1
96º) Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc)Brasil32,5
97º) Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)Brasil32,4
98º) Universidade Federal do Rio Grande (Furg)Brasil32,3
Fonte: TopUniversities.com
VEJA O RANKING COMPLETO
O Brasil tem a Universidade de São Paulo (USP) no topo das melhores universidades da América Latina e ainda conta com 31 instituições de ensino superior entre as cem melhores do ranking divulgado nesta terça-feira (4) pela QS (Quacquarelli Symonds), do Reino Unido.

Este é o primeiro ranking que reúne apenas as universidades latino-americanas elaborado pela QS, uma organização internacional de pesquisa educacional que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação.

A USP lidera com 100 pontos, a pontuação máxima. Em segundo lugar está a Pontificia Universidade Católica do Chile (99,6 pontos). Outra universidade brasileira, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está em terceiro (94,7). A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aparece em 10º lugar, e a Universidade de Brasília (UnB) em 11º.

Nas cem primeiras do ranking aparecem 31 universidades do Brasil. Em seguida estão Argentina (19), México (15), Chile (14), Colômbia (8), Venezuela (4), Peru (3), Costa Rica, Cuba, Porto Rico, Equador e Uruguai (1).

Uma nova metodologia foi desenvolvida após uma extensa consulta com as universidades da região e com o Conselho Académico Consultivo internacional da QS. O ranking utiliza sete indicadores distintos: reputação acadêmica (30%), reputação de empregabilidade (20%), estudantes da faculdade (10%), profissionais com doutorado (10%), artigos publicados (10%), citações por artigo (10%) e impacto na internet (10%).

Impulsionado pelo aumento do investimento público em educação, o Brasil emplacou 65 universidades entre as 200 primeiras da lista, quase o dobro do México (35) e muito mais do que Argentina e Chile (25 cada).

Segundo os autores do estudo, as universidades brasileiras adquiriram oito dos dez primeiros lugares em produtividade de pesquisa e tiveram a maior proporção de acadêmicos com doutorado.
Eles destacaram, ainda, que o número de matrículas universitárias triplicou nos últimos 10 anos no Brasil.

"A economia brasileira já é a sétima do mundo e a Goldman Sachs previu que superará as de Canadá, Itália, França, Reino Unido e Alemanha nos próximos 20 anos", disse Ben Sowter, chefe de pesquisas do ranking QS.

"Enquanto muitos governos de países desenvolvidos cortam os gastos em universidades, os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) estão investindo grandes quantias de dinheiro na construção de universidades de nível internacional", avaliou o diretor da página TopUniversities.com, Danny Birne, para quem o denominador comum é que todos consideram a educação um "elemento chave" para seu desenvolvimento.

"Uma educação superior de nível mundial será central para seu desenvolvimento e o novo ranking QS mostra que os investimentos do Brasil já estão começando a colher frutos", acrescentou, em um comunicado.

A classificação é liderada pela Universidade de São Paulo, seguida da Pontifícia Universidade Católica do Chile, em segundo lugar, e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em terceiro.

Com relação a outros países, a primeira instituição de ensino mexicana, a Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), apareceu em quinto lugar; em sexto está a primeira de 21 instituições colombianas, a Universidade dos Andes; e a primera da Argentina, a Universidade de Buenos Aires, em oitavo.

Nesta primeira edição do ranking regional, o QS se baseou em critérios específicos da América Latina, como a proporção de professores com doutorado, a produtividade de pesquisas per capita e a presença na internet, assim como pesquisas existentes.

Trote na Poli - Usp (Foto: Raul Zito/G1)Estudantes fazem matrícula na Escola Politécnica da USP, líder do ranking latino-americano (Foto: Raul Zito/G1)

Os pesquisadores, no entanto, se questionam se o Brasil poderá chegar a ser a próxima superpotência universitária.

No mais recente ranking QS das melhores universidades do mundo 2011, liderado pela primeira vez pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, a USP só alcançou o 169º lugar, sendo a única instituição de ensino latino-americana entre as 200 melhores do mundo.

Segundo a QS, em um contexto de rápida expansão e participação nos rankings e investimentos na investigação e inovação, este novo ranking permite discutir o desenvolvimento do aumento da educação na região. “A América latina é relativamente excluída dos rankings internacionais, mas o investimento governamental e o crescimento econômicoindicam que se tornará cada vez mais um paritcipador na cena interrnacional nos próximos anos.”, diz Ben Sowter. "Este raking para a América Latina inclui uma metodologia feita sob medida para melhor representar as circunstâncias regionais."

Estrangeiros seguem o dinheiro em direção ao Brasil

MYRNA DOMIT
DO "THE NEW YORK TIMES", NO RIO

The New York Times

Refletindo sobre as tempestades financeiras que fustigam a Europa e os Estados Unidos, Seth Zalkin, banqueiro americano vestido casualmente, tomava um cafezinho e parecia satisfeito com sua decisão de mudar-se para cá, em março, com sua mulher e o filho deles.
"Se o resto do mundo está afundando, este é um bom lugar para estar", disse Zalkin, 39 anos.
Para quem guarda uma recordação, mesmo que fraca, da crise da dívida vivida pelo próprio Brasil nos anos 1980, a ordem global foi colocada de ponta-cabeça. A economia dos EUA pode estar se arrastando de joelhos, mas no ano passado a do Brasil cresceu no ritmo mais acelerado de mais de duas décadas anteriores, e o desemprego está em baixa histórica, parte da transformação do Brasil de caso inflacionário perdido em um dos maiores credores de Washington.

Com salários que rivalizam com os de Wall Street, tantos banqueiros, gerentes de fundos hedge, executivos petrolíferos, advogados e engenheiros estrangeiros vêm se mudando para cá que os preços de imóveis comerciais de alto padrão este ano superaram os de Nova York, fazendo do Rio a cidade mais cara das Américas em termos de aluguel desses espaços, segundo a empresa imobiliária Cushman & Wakefield.

Uma mentalidade de corrida ao ouro domina o ambiente, com o número de autorizações de trabalho para estrangeiros subindo 144% nos últimos cinco anos, sendo que o contingente de profissionais altamente instruídos que vêm se radicando no Brasil é liderado por americanos.
Não é de hoje que empresários sentem-se atraídos pelo Brasil, e o mesmo acontece com vigaristas interessados em enriquecer rápido, sonhadores com grandeza amazônica e até mesmo foras-da-lei como Ronald Biggs, o britânico que fugiu para o Rio depois de seu grande assalto a um trem postal inglês em 1963.

Hoje, porém, as escolas que recebem alunos americanos e de outras famílias de língua inglesa têm longas listas de espera, apartamentos podem custar US$ 10 mil por mês nas áreas mais cobiçadas do Rio, e muitos dos recém-chegados são diplomados pelas melhores universidades dos EUA ou possuem experiência de trabalho nos pilares da economia global.

Chegando aqui, eles se deparam com um país que enfrenta um desafio muito diferente daquele que é encarado pelos EUA e a Europa: o receio de que a economia esteja ficando superaquecida.
Uma coisa que constitui um choque especial para os recém-chegados é a força do real. Isso pode beneficiar brasileiros que vêm comprando apartamentos em lugares como South Beach, em Miami, onde os imóveis custam cerca de um terço dos preços de imóveis equivalentes nos bairros de alto padrão do Rio. Mas prejudica os manufatureiros e exportadores brasileiros.

Assim, em uma tentativa de impedir uma valorização ainda maior do real, o Brasil hoje é um dos maiores compradores de títulos do Tesouro americano, elevando seus interesses em jogo na economia americana enfraquecida. É uma quebra nítida com o passado, quando Washington ajudou a montar pacotes de resgate para o Brasil durante suas crises financeiras.

"O Brasil está se saindo muito bem, mas, francamente, semana sim, semana não eu me pergunto 'quando isto vai acabar?'", disse Mark Bures, 42, executivo americano que se mudou para o Rio em 1999, em tempo de assistir a uma desvalorização abrupta do real e outras oscilações acentuadas na prosperidade brasileira.

Alguns poucos americanos que vivem no Brasil há mais tempo chegam a se recordar do último "milagre" econômico do país, no início dos anos 1970, quando o "Wall Street Journal" citou um banqueiro otimista no início de um artigo de primeira página, prevendo que "em dez anos o Brasil será uma das cinco maiores potências do mundo". Em lugar disso, o país acabou onerado com uma dívida externa assustadora.

O boom recente das commodities e o crescimento do consumo interno, resultado da expansão da classe média, ajudaram a converter o Brasil em potência em ascensão que se recuperou facilmente da crise financeira global de 2008. No ano passado a economia cresceu 7,5%, e a expectativa é que este ano registre crescimento de 4% --menor, mas ainda invejável nos Estados Unidos.

Apesar disso, o Brasil apresenta muitos desafios que podem desencorajar estrangeiros que chegam ao país. A legislação trabalhista dá preferência à contratação de profissionais brasileiros em lugar de estrangeiros, e o demorado processo de obtenção de um visto de trabalho pode surpreender quem não está acostumado à colossal burocracia brasileira.

Alguns economistas consideram o real a moeda mais sobrevalorizada do mundo, com relação ao dólar, e a inflação vem subindo (conforme evidenciam Big Macs por US$6,16 e martínis por US$35). As taxas de juros teimam em continuar altas, e analistas discutem a possibilidade de estar se formando uma bolha de crédito, na medida em que os consumidores continuam mergulhados em uma orgia de compras de tudo, desde casas até carros, que já vem acontecendo há anos.

O Brasil não está imune à turbulência nos mercados globais, e o real se enfraqueceu um pouco este mês. O mercado imobiliário carioca tem estado agitado com a aproximação da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, mas sua infraestrutura é insuficiente. Embora tenha diminuído em algumas regiões, a criminalidade violenta ainda assola grandes partes do país e também o Rio, que este mês enfrentou um incidente traumático de sequestro de um ônibus.

Mesmo assim, os estrangeiros vêm chegando, e as autorizações de trabalho para eles aumentaram mais de 30% em número apenas em 2010, segundo o Ministério do Trabalho.
"Eu só falava um português muito básico, mas pude perceber que este lugar estava vivendo um boom", contou Michelle Noyes, 29, nova-iorquina que organizou uma conferência de fundos hedge em São Paulo. Pouco depois disso, ela deu o salto: mudou-se para o Brasil para trabalhar em uma firma de gerenciamento de ativos.

"Me mudei da periferia do setor para o centro", disse Noyes, citando cinco outros americanos, dois de Nova York e três de Chicago, que estão se mudando para o Brasil este mês para tentar sua sorte.
Os americanos formam o maior grupo de estrangeiros que está se mudando para o Brasil, seguidos por contingentes de britânicos e outros europeus. Alguns vêm para contratos de trabalho temporários. Outros estão fundando empreendimentos pequenos ou grandes.

O americano David Neeleman, fundador da JetBlue Airways, recentemente criou a companhia aérea brasileira de baixo custo Azul. Corrado Varoli, italiano que comandava desde Nova York as operações latino-americanas do Goldman Sachs, agora comanda seu próprio banco de investimentos em São Paulo. Novas ponto.coms brasileiras como a Baby.com.br, empresa on-line de venda de fraldas no varejo fundada este ano por dois primos americanos recém-saídos de escolas de administração de empresas como a Wharton e a de Harvard, às vezes conferem ao Brasil um clima de bolha não muito diferente daquele que reinava nos EUA em 1999.

Outros estrangeiros vêm assumindo empregos em empresas brasileiras que estão crescendo com um boom resultante em parte do comércio do Brasil com a China.
"Nossos salários aqui no Brasil são pelo menos 50% mais altos que os salários pagos nos EUA por cargos estratégicos", disse Jacques Sarfatti, gerente para o Brasil da Russell Reynolds, firma que recruta executivos de empresas.

Estrangeiros competem com brasileiros que retornam ao país, vindos do exterior. "É muito evidente que o mercado de trabalho está tão ruim em outros lugares", disse Dara Chapman, 45, californiana que é sócia de um fundo hedge carioca, o Polo Capital. Ela disse que vem recebendo inúmeros currículos de interessados em mudar-se dos EUA para o Brasil.

As enormes descobertas brasileiras de petróleo na camada do pré-sal também vêm atraindo investidores e estrangeiros, entre os quais milhares de filipinos que trabalham em navios e plataformas petrolíferas marítimas. Para suas outras indústrias, o Brasil precisa de estimados 60 mil novos engenheiros, alguns dos quais precisam vir do exterior, em vista das insuficiências do sistema de ensino brasileiro.

"Eu me mudei para cá de Pequim um ano atrás e acho o potencial para o desenvolvimento profissional incrível", disse a chinesa Cynthia Yuanxiu Zhang, 27, gerente de uma empresa de tecnologia. "Já estou planejando estender minha estadia aqui para bem mais adiante nesta década."

Universidades brasileiras acolhem alunos do Haiti

JULIANA COISSI
DE RIBEIRÃO PRETO


Universidades brasileiras começaram nesta semana a receber estudantes do Haiti, em um projeto de ajuda na reconstrução do país, depois do terremoto do ano passado que deixou 300 mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados.
Estão envolvidas a UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande os Sul).
O chamado Programa Emergencial Pró-Haiti em Educação Superior visa ajudar alunos cujas faculdades foram engolidas pelos tremores a concluir a graduação.
Ao todo são 76 haitianos, que depois do desastre estudavam de forma improvisada em casas ou até debaixo de lonas. Muitos perderam familiares e colegas de curso.
Por causa da barreira da língua --o francês e o francês crioulo são os idiomas oficiais-- os estudantes terão aulas de português por seis meses para só iniciar a graduação no ano que vem.
Eles receberão mesada de R$ 750 e outros R$ 500 de auxílio-instalação, com alimentação custeada pelas faculdades --a moradia será cedida na UFSCar e UFRGS.

SUPERAÇÃO
A UFSCar recebeu cinco rapazes para os cursos de engenharias (civil, mecânica e de produção), medicina e ciências da computação.
Todos tiveram histórias de superação, como a de Georges Dorilien, 25, de Porto Príncipe. Ele cursa medicina, um sonho de infância.
Segundo a professora Claudia Aparecida Stefane, o aluno diz ter tido uma boa impressão do Brasil e que vê os brasileiros como "pessoas gostam que de ajudar." A língua, diz, não está sendo uma dificuldade --ele até já arrisca palavras como "obrigado", "bom dia", "mamão", "manga".
Com o terremoto, a faculdade foi destruída e ele perdeu cerca de 45 colegas, além de professores. As aulas passaram a acontecer em duas casas e em uma escola.
De acordo com Claudia, os planos de Georges são terminar os estudos no Brasil e voltar para o Haiti para ajudar as pessoas de lá. Ele contou à professora que lá não há médicos suficientes lá. Georges também quer ser professor universitário.
Em Santa Catarina, onde a UFSC acolheu 28 alunos, a empatia com o Brasil também foi instantânea.
"Um deles já desceu com a bandeira do Brasil das mãos. Elogiam o país como modelo de desenvolvimento para a América Latina", disse o professor Enio Pedrotti.
A Unicamp foi a instituição com mais alunos. Acolheu 40 jovens, nove deles mulheres e a maioria da área de humanas, como pedagogia, licenciatura em história e ciências sociais. Eles estão em repúblicas e pensionatos.
Na capital gaúcha, foram acolhidos três haitianos.

Ministério do Turismo indica 184 destinos turísticos para a Copa

Distância máxima das cidades-sede será de 3 horas por via terrestre.
O objetivo é aumentar o fluxo turístico e a geração de renda e emprego.
Do G1, em Brasília
O Ministério do Turismo divulgou nesta quinta-feira (5) uma lista com 184 destinos turísticos em municípios distantes até três horas por via terrestre ou até duas horas, por via aérea, das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 (Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). Veja a lista dos destinos turísticos indicados.

De acordo com o ministério, o objetivo é incentivar o visitante a conhecer os atrativos localizados no entorno das sedes, aumentando o fluxo turístico, a distribuição de renda e a geração de emprego. No total, foram indicados lugares distribuídos entre 21 estados.

O ministério estima que 600 mil estrangeiros e 3 milhões de brasileiros deverão circular pelo Brasil no mês da Copa, totalizando 7,8 milhões de viagens domésticas no período.

"Nossos estudos indicam que cada estrangeiro realizará uma média de três viagens pelo Brasil durante o mês da Copa do Mundo. Traçamos uma estratégia para intensificar o fluxo de deslocamentos, beneficiando o maior número de municípios e distribuindo melhor a geração de emprego e renda", disse o ministro do Turismo, Gastão Vieira, via assessoria de imprensa.

De acordo com o ministério, os locais selecionados estão em um raio de 300 quilômetros das cidades-sede. Além do segmento sol e praia, o mais popular, a lista inclui ecoturismo, aventura, esporte, cultura, negócios, eventos e gastronomia.

Os municípios selecionados, segundo o ministério, terão preferência na destinação de recursos e no destaque da promoção oficial. O investimento em campanhas e convênios para a promoção dos destinos turísticos deve ser neste ano próximo de R$ 151 milhões, mesmo valor investido em 2011 segundo o ministério.

Para a promoção internacional do turismo brasileiro, a expectativa é a de que a Embratur tenha R$ 139 milhões, mesmo valor do ano passado.